Paoli: “Estamos formando analfabetos cinestésicos na base do nosso futebol”

14 de julho de 2017

Próspero Paoli é graduado em educação física pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), mestre pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e doutor pela Gama Filho (RJ). E vai palestrar sobre a importância da qualificação profissional para gestores do futebol de base no Brasil, no dia 31 de julho, no 1° Simpósio Brasileiro de Futebol de Base (Simbrafut), que acontece em Vitória (ES).

Paoli vai contar sobre sua experiência à frente do Centro Esportivo Ubaense (CEU), que se tornou referência na formação de atletas e de profissionais, a partir da sua formação, em 2010. “O CEU foi um projeto concebido por mim. Mantenho um grupo de estudos sobre futebol há 30 anos – seis gerações – na Universidade Federal de Viçosa (UFV). Então resolvi convidar a quarta geração deste grupo para integrar o projeto e comprovar a importância da metodologia. Sobre como um projeto destes pode ser concebido a partir de um planejamento estratégico”, diz Paoli.

De acordo com ele, a diferença entre o trabalho exercido por centros especializados na formação de atletas e os clubes profissionais, que possuem futebol de base, está na ausência do imediatismo.

“Os clubes profissionais acabam trabalhando com imediatismo. A questão da base é formar para ganhar. Se você forma, você sempre ganha. Mas nem sempre que você ganha uma fortuna em cima de determinado atleta significa que você o tenha formado. A formação de um atleta se dá entre os 11 e os 15 anos de idade. Então ele chega à categoria de base aos 16 e termina o seu processo de maturação aos 23. Aqui no Brasil pouco se respeita este percurso”, explica.

Ele defende: “A causa disso tudo é a alta demanda do mercado, que acaba obrigando a ampliar o leque de ofertas. Todo dia tem alguém batendo na sua porta procurando jogador com determinado perfil e como você depende de capital para manter o clube, acaba fazendo com que um atleta promissor acabe queimando etapas e tendo a sua formação comprometida”.

Entre as relações do CEU, estão Luan e Gabriel Afonso (Palmeiras); Kaká e Alisson (Cruzeiro); e o goleiro Yago (Ponte Preta).

Analfabetos cinestésicos

Ao longo dos seus estudos Paoli percebeu que parte das universidades conta com uma boa infraestrutura, mas a educação de base tem sido deixada de lado. Isto se reflete também no futebol. Por isso é comum que grandes promessas do futebol brasileiro cheguem à Europa e fiquem por algum tempo rodando em equipes menores, por serem considerados incompletos, sobretudo taticamente.

“O futebol brasileiro tem este histórico e estamos sentindo isso. Temos formado atletas que são analfabetos cinestésicos, ou seja, com graves problemas motores. Isto por que faltam profissionais qualificados na educação básica e também espaços para a prática do futebol. Falta educação física nas escolas por falta de material e de espaço. Isto influencia no aspecto técnico. O jogador brasileiro sempre foi individualmente diferenciado, mas é deficiente na parte tática, que está ligada à parte cognitiva, de fazer a leitura do jogo e entendê-lo. Tudo isto porque não temos uma formação escolar decente”, conta Paoli.

Futebol de base no ES
“O futebol capixaba é promissor. Todos os anos grandes clubes vêm aqui buscar atletas, inclusive o CEU. O que falta para segurar estas joias e obter algum retorno em forma de resultados é que se faça um trabalho sistematizado, com uma metodologia e profissionais extremamente qualificados. Isto vai muito além de ter um campo, uma bola e ir pra competições”, aconselha.

Conselho aos clubes
“Precisamos investir na base e os clubes estão investindo muito claramente pra isto. Espero que também invistam em metodologia nos seus processos de formação, que invistam muito mais nos seus profissionais. É preciso se preocuparem menos com resultados e mais com formação”, finaliza Próspero Paoli.


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